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Como identificar sinais e ajudar a prevenir o suicídio




Era novembro de 2012, último mês de vida para Felipe. Tinha 34 anos e morava sozinho, sem a mãe e o irmão mais novo. Trabalhava como servidor público e estava insatisfeito com o resultado das eleições municipais em São Paulo. Agitado e sarcástico, trazia na fala críticas constantes e desânimo com a vida que levava. Bebia diariamente havia três anos. Conseguia se abrir escrevendo em seus diários, enquanto a família não desconfiava que o comportamento terminaria em suicídio.

Após um ano da morte de Felipe, a mãe, Maria Cristina Ramos de Stefano, conseguiu ler as anotações feitas durante dez anos. Dentre as surpresas de descobrir um filho diferente do que conhecia, concluiu que ele enfrentava um quadro depressivo. Como psiquiatra, admite que tinha conhecimento superficial sobre suicídio e passou a estudar compulsivamente o tema. Publicou o livro Suicídio - A epidemia calada há dois anos com trechos dos diários encontrados, alertando sobre a forte relação entre suicídio e transtornos mentais.

“Na nossa cultura, o suicídio é muito vinculado à fraqueza moral, à falta de alguma fé. A pessoa é tratada como covarde. No entanto, mais de 95% dos casos são desencadeados por doença mental que pode ser identificada e tratada”, frisa Cristina. Conforme aponta, para cada suicídio cometido, seis pessoas próximas desenvolvem algum transtorno emocional. “É um luto diferente, que causa muita culpa. As pessoas passam a questionar no que contribuíram para que aquilo acontecesse”, compartilha.

É possível ajudar
O papel de familiares, amigos e profissionais de saúde é saber identificar os gritos de socorro e ajudar. É ouvir mais quem está ao redor, ter compreensão e orientar quem precisa de tratamento. Com respeito à dor do outro, intervir quando os principais fatores do comportamento suicida surgirem: desespero, desamparo, depressão, dependência química e delírio. “Quem pensa em suicídio está com uma dor psíquica insuportável. Esta pessoa passa a ver a morte como única saída”, explica Alexandrina Meleiro, coordenadora da Comissão de Estudo e Prevenção de Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Antes que cheguem as crises agudas, há medidas de longo prazo para diminuir os fatores de risco. Conforme explica Meleiro, a criança que cresce com afeto e livre de abusos físicos, sexuais e psicológicos terá menos chances de desenvolver transtornos mentais no futuro. Para os que desenvolvem doenças mentais em alguma fase da vida, a resposta mais eficiente é o acesso ao tratamento, além de um ambiente sem estigma e preconceitos.

“Todos devem estar envolvidos na prevenção. Pensamos também em pais e educadores, que podem estar atentos ao bullying na infância e na adolescência”, complementa a psiquiatra. Além destes fatores, combater a dependência química também previne o comportamento suicida. Álcool, drogas e tabaco, como agentes diretos no sistema nervoso, aumentam o risco quando combinados com quadros de doenças mentais. (Thaís Brito)


PARA LER

Suicídio: a epidemia calada
Autor: Felipe de Stefano Balster Martins
Trechos do diário dos últimos anos de vida do artista Felipe, que tirou a própria vida em 2012. A mãe, Maria Cristina de Stefano, publicou o diário como forma de alerta sobre o suicídio.

Editora: Ofício das Palavras

Média de preço: R$ 30


Viver é a melhor opção
Autor: André Trigueiro
O jornalista traz dados e a incidência do suicídio no Brasil e no mundo, mostrando o problema de saúde pública e a necessidade do esforço conjunto na prevenção. A renda do livro é revertida para o CVV Brasil.

Editora: Correio Fraterno
Média de preço: R$ 25


Suicídio -Informando para prevenir
Cartilha produzida pela Associação Brasileira de Psiquatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
Visualização gratuita disponível em: www.abp.org.br

caicodigital.blogspot.com.br

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