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Condenado por morte de pacientes, ex-médico atende em presídio do RN


Imagem mostra o ex-médico Marcelo Caron atuando como dentista em uma sala usada como consultório em Alcaçuz, maior presídio do RN (Foto: G1/RN)
Imagem mostra o ex-médico Marcelo Caron atuando como dentista em uma sala usada como consultório em Alcaçuz, maior presídio do RN (Foto: G1/RN)
Apontado como responsável pela morte de cinco mulheres e ainda acusado de causar lesões corporais graves em 29 pacientes de Goiás e do Distrito Federal entre os anos de 2000 e 2002 – todas vítimas de complicações após cirurgias plásticas – o ex-médico Marcelo Caron foi filmado atuando como dentista na maior unidade prisional do Rio Grande do Norte, a Penitenciária Estadual de Alcaçuz, que fica em Nísia Floresta, município da Grande Natal.
O G1 teve acesso às imagens e, com exclusividade, entrevistou o ex-cirurgião. Segundo ele, o fato aconteceu na semana passada. "Esse atendimento, na verdade, é uma prestação de socorro ao colega apenado, o interno que está preso, que não tem um atendimento devido, devido a falta de atendimento na rede. Foi um trabalho humanitário", justificou. "As pessoas podem ver que o atendimento ali é um atendimento de socorro, que não é nada dentário, não tem nenhum tratamento de processo odontológico ali, que não é visto nenhum material que é visto na filmagem. O material é a cadeira do dentista, é o lugar que se usa para abrir a boca. O rapaz ali tinha um abscesso na boca. O que a gente tá fazendo ali é um curativo na boca", acrescentou.
O vídeo gravado em Alcaçuz foi feito por um agente penitenciário que pediu para não ser identificado. As imagens mostram Caron vestido com roupas brancas, usando luvas e máscara cirúrgica, e utilizando uma broca dentária em um preso que está deitado em uma cadeira de dentista em uma sala que funciona como consultório. O dentento está algemado. Ao tomar conhecimento, o secretário de Justiça e Cidadania, Cristiano Feitosa, disse que não sabia que o ex-médico estava atendendo no presídio. "Vamos apurar. Quero saber o que está acontecendo", afirmou.
A entrevista com Marcelo Caron (veja vídeo acima) aconteceu na manhã desta terça-feira (17). Antes, porém, o G1 filmou o ex-médico circulando livremente no hall de entrada da penitenciária. Ele aparece todo vestido de branco, segurando uma prancheta, e com um estetoscópio pendurado no pescoço. Em um determinado momento, é o próprio Caron quem abre e fecha o portão que dá acesso aos pavilhões. Ele passa pelas grades e brinca com uma cachorra.
Já na sala da direção da unidade, o ex-cirurgião fica surpreso com a informação de que havia sido filmado no momento erm que atendia a um preso, mas concordou em falar sobre. Sobre o procedimento, ele insiste em dizer que foi uma atitude humanitária, de emergência, mas se negou a dizer se o atendimento ocorreu numa situação inesperada ou se ele já havia feito outros atendimento, como se houvesse uma programação para as consultas.
Denísio Marcelo Caron tem 52 anos. Paulista de São José do Rio Preto, clinicava em Goiânia e Distrito Federal, mas teve o registro de médico cassado em dezembro de 2012 pelo Conselho Federal de Medicina por exercício ilegal da profissão. Ele responde na Justiça pelas mortes de cinco mulheres, todas vítimas de complicações após cirurgias de lipoaspiração.
Vera Lúcia Teodoro, de 39 anos, morreu no dia 22 de maio de 2000 em Goiânia. Fazia 24 horas que ela havia sido submetida a uma cirurgia de lipoaspiração e plástica nos seios, procedimentos feitos por Marcelo Caron. Neste caso, ele ainda não foi a julgamento.
Já em 2009, Caron foi condenado a 8 anos de prisão em regime semiaberto pela morte de Janet Virgínia Novais Falleiro de Figueiredo. Advogada, ela tinha 43 anos. Janet era ex-concunhada de Caron e teve o intestino perfurado em uma cirurgia de lipoaspiração, fato ocorrido em janeiro de 2001. Ele também foi sentenciado a pagar indenização de R$ 30 mil aos familiares da vítima.
Ainda em 2009 o ex-médico foi novamente condenado, sendo sentenciado a 29 anos no regime fechado e um no aberto pelas mortes de mais duas pacientes: Adcélia Martins de Souza, de 39 anos, e Graziela Murta, universitária de 26 anos. Ambas morreram em 2002, no Distrito Federal, também vítimas de complicações após cirurgias feitas por Caron.
Caron enfrentou novo júri popular em agosto de 2014, sendo condenado a 13 anos pela morte da oficial de Justiça Flávia de Oliveira Rosa, de 23 anos, ocorrida em março de 2001 também após uma cirurgia de lipoaspiração realizada em Goiás. Contudo, a defesa dele recorreu e o julgamento foi anulado. Já em março deste ano, segundo o próprio Caron, a denúncia teria sido desqualificada e ele, portanto, passaria a responder pela morte de Flávia como homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. Contudo, o Tribunal de Justiça de Goiás ainda não divulgou o resultado do recurso do Ministério Público, no qual pede que a condenação de Caron por homicídio culposo seja alterada para homicídio doloso. O TJ-GO informou que o desembargador Fábio Cristovão de Campos Faria ainda faz algumas correções no documento, mas deve assiná-lo até a sexta-feira (20).
Além de ser apontado como responsável pela morte das cinco mulheres, Marcelo Caron ainda foi processado 25 vezes na Justiça de Goiás e também responde a um processo por estelionato, além de 19 acusações por lesão corporal.
Prisão no RN
Marcelo Caron foi preso na noite de 11 de agosto de 2012 ao passar por uma barreira policial em uma estrada de Canguaretama, no litoral Norte potiguar. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, foi cumprido um mandado de prisão preventiva pela acusação de lesão corporal grave. Caron estava sozinho em um Gol. Após receber voz de prisão, ele foi levado ao Centro de Detenção Provisória de Pirangi, na Zona Sul de Natal. Em 2013, foi transferido para a Penitenciária Estadual de Alcaçuz.

Fonte: G1/RN

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