Ao trocar as belezas naturais do Rio de Janeiro pelo cenário moderno de
Brasília, um recém-comissionado do governo não imaginava que receberia
tanto dinheiro. Na transferência para a capital federal, além da mudança
bancada pelos cofres públicos, recebeu ajuda de custo equivalente a
três meses do novo salário, uma para ele, outras duas para a mulher e o
filho menor de idade. Embolsou, livres de impostos, R$ 54 mil. Dois
meses depois, com a demissão do chefe que o convidou para o cargo,
acabou dispensado. Sem alternativa e decepcionado, retornou para o Rio.
Mas, para surpresa dele, não só teve os bilhetes aéreos e o transporte
pagos novamente pelo governo, como ainda recebeu mais R$ 54 mil de ajuda
de custo. Nesse curto período, engordou a conta bancária em R$ 108 mil
por conta do Tesouro Nacional.
O dinheiro extra levou o ex-comissionado a se perguntar: “Realmente
tenho direito a esses benefícios, ainda que a lei os preveja? A decisão
de mudar de cidade foi minha. No máximo, as passagens aéreas e o gasto
com o transporte dos móveis de casa são justificáveis. Mas receber R$
108 mil em dois meses passou da conta”, ressalta ele, que não quer se
identificar, temendo represálias. “No pouco tempo que permaneci em
Brasília, ficou a impressão de que as pessoas do governo acreditam que o
dinheiro do contribuinte é capim, nasce em qualquer lugar”, afirma.
Fonte: Robson Pires


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